Feliz Natal 2017

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Não me lembro porque razão sempre adorei o Natal, não sou religiosa, não tenho a loucura da compra das prendas (e em criança, nem havia dinheiro para prendas 😛 …).
Talvez comemore inconscientemente o solstício de Inverno, com as suas tradições milenares verdadeiramente natalícias. Talvez ajude o facto de fazer anos a dia 27 e em criança achar que todas as luzes da cidade eram a decoração da minha festa de anos 😀
Ou talvez veja o Natal como um reflexo da minha constante utopia 🙂

Das tréguas (mesmo que passageiras) entre países em guerra
das tentativas (mesmo que às vezes falhadas) das famílias disfuncionais,
da solidariedade (mesmo que forçada),
dos sorrisos (mesmo pelo meio do stress),
da magia (num mundo cada vez mais real… ou reality show…)

Também é a época em que cá por casa aproveitamos para ensinar uma ou duas mensagens que achamos fundamentais.
Não é preciso ter muito, para estar feliz.
O mais importante é a união.

Diversão

Mas isso não impede em nada, o embrenharmos-nos na magia.
Por isso, começamos a época por aproveitar os vários mercados e actividades de Natal que existem nos municípios (a maioria, gratuitos), embrenhando-nos no espírito Natalício com toda a nossa paixão.

Prendas

As prendas todos os anos são feitas por nós (licores, almofadas, loiça pintada, caixas de chá…). Isso faz com que, tendo mais trabalho, mas menos despesa, mesmo os adultos recebam uma prendinha. Ainda que pequena, perpetua a magia da época e convenhamos que todos nós gostamos de algo para desembrulhar.

Este ano foram frasquinhos reciclados, de marmelada caseira e biscoitos de alfarroba e laranja. Os embrulhos, também têm a marca dos  bebés.

Pela primeira vez e inspirados na educação que queremos dar aos nossos, este ano também não comprámos brinquedos para as crianças.
Os nossos meninos rabiscaram t-shirts brancas para os primos e amigos e queremos crer que ao invés de mais um dos mil brinquedos que as crianças recebem no Natal e que já nem sabem quem deu, vão usar estas t-shirts e sorrir ao lembrarem os primos pequeninos a fazer “desenhos” para eles.

Este ano, pedimos aos amigos para não comprarem brinquedos, é nesta idade, em que ainda não sabem como fazem os outros, que podem aprender a valorizar as pequenas coisas em vez dos grandes e muitos embrulhos.
A nossa prenda para os nossos filhos foi uma cozinha de brincar para os três (gêmeos e enteada). Uma prenda (melhorzinha) para os 3…

A nossa prenda um para o outro foram doações para causas sociais. Já chegámos à fase de não precisar de nada de material básico e necessário, e de nos sentirmos muito mais realizados, sabendo que a nossa contribuição deixa alguém mais feliz. Escolhemos associações ou causas pequenas em que as coisas pareçam funcionar realmente em prol de quem necessita, e esta é também uma forma de nos inteirarmos de como está o mundo, o que podemos mudar (por pouco que seja o nosso gesto) e de passarmos essa mensagem aos nossos filhos.
Este ano doámos para:
The MT Foundation – Doação de Chuteiras usadas para crianças desfavorecidas
(ou seja, como o marido adora futebol, dei-lhe umas chuteiras de criança acessíveis, para ele doar. Estranho? Talvez. Para nós faz sentido assim.)
–  Projecto Amélia– Ajuda crianças com cancro sem meios de transporte a conseguir chegar ao hospital para tratamentos de quimioterapia. Projecto de um Português na Birmânia.

Pai Natal

Por aqui, não há barrigudo a descer pela chaminé.
Perpetuam-se essas histórias lindas, lidas sob a árvore de Natal, enfeita-se a imaginação com bonecos de barbas brancas feitos por eles, vive-se muita magia, mas eles sabem que os vários Pais Natais que vêm, são pessoas mascaradas e sabem que cá em casa o Pai Natal e os duendes somos nós. Escolhemos assim, pois por bela que seja a mentira, aprendemos na nossa família que não há inverdades, nem meias verdades. Há a verdade e nós não queremos mentir-lhes.
Por isso fazemos mais ou menos isto:
“A história do Pai Natal é muito linda, não é? Eu nunca o vi, nem conheço ninguém que o tenha visto, mas gosto de acreditar que ele exista porque é um símbolo da bondade. E nós podemos imitar o Pai Natal fazendo as nossas prendinhas para distribuir por quem gostamos, como ele faz na Oficina dele”
Depois, à noite, calçamos sapatos de duendes e gorros de Pai Natal, munimo-nos de guizinhos e abrimos as varias prendas que nos foram dando em Dezembro e as que temos nossas para trocar.

No fim da brincadeira, sentamo-nos quentinhos no sofá a ver um filme de Natal até eles adormecerem ao colinho. Que maravilhoso…

Ceia

Ao longo de Dezembro vamos fazendo os docinhos, bolachas com feitios, trabalhos manuais com muitas tintas e brilhantes, etc…mas na véspera de Natal, o dia é mesmo dedicado à cozinha, com muitas músicas de Natal cantadas e dançadas, pelo meio. Broinhas, bolo rei, sonhos, e o sonho de os ver de mãozinhas na massa a descobrir cheiros, sabores e a magia de fazermos juntos receitas de família, pelas nossas próprias mãos.

Neste dia, não há telemóveis, nem mensagens apressadas de Natal. O dia é só para a família e para a magia da época. A ceia é, claro está, vegetariana (vegan), sem crueldade animal, num dia de Paz.

O dia de Natal

De manhã, criam-se mais recordações que se esperam inesquecíveis. Recebe-se mais família e…
Cai neve na Azenha!
A nossa casa que é perto de Lisboa e claro, não tem neve natural. Só porque é Natal e eu sou apaixonada por um Natal na neve e por dar muita fantasia aos meus amores.
I’m dreaming of a White Christmas…
oh dreams can so come true…!

Snow in Lisbon

E pronto, este é só um exemplo de como um Natal com família pequenina, sem bacalhau nem perú, nem rios de dinheiro gastos em prendas e até sem acreditar piamente no Pai Natal, pode ainda assim ser mágico.
Porque a magia, a magia é o amor!

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