Waiting for you

Ser mãe era um sonho desde sempre.
Tenho a sorte de ao longo da vida ter vindo sempre a cumprir os sonhos longínquos que um dia almejei.
Ter uma quintinha, viajar cantando Portugal pelo mundo, ter os melhores amigos que se pode ter, uma relação de amor, e agora o maior sonho de todos eles, ser mãe. E também aí a Natureza foi generosa comigo. Em vez de um esperado bebé, serei abençoada com dois meninos gémeos.
Como apesar de tudo, nada na minha vida se tem feito sem luta e algumas lágrimas, também a gravidez tem sido um desafio.
Durante mais de um mês, por alerta médico, vivemos na dúvida se um dos nossos meninos teria um síndrome cromossomático. Foi uma espera longa e angustiante em que tivemos de tomar duras decisões. Valeu-nos o inestimável apoio de todos os que partilham o nosso coração. Valeu-nos acreditar que seriamos capazes de amar incondicionalmente quem viesse, da forma que viesse.
Felizmente, os resultados dos exames foram negativos.
Mas o meu coração ficou ainda mais sensível a todas as mães cujos bebés vêm a ser especiais. A maior coragem e boa ventura para essas famílias e seus bebés é o meu maior desejo.
Porque os desafios não terminam, esse nosso mesmo menino terá de ser operado ao coraçãozinho quando nascer e eventualmente mais algumas vezes depois. Uma luta que começa tão demasiado cedo já para ele também…
Também o outro menino, soubemos há muito pouco, tem um pequeno percalço no coração, felizmente longe da gravidade do problema do irmão.
Sabemos que as operações serão muito complicadas, mas prendo-me sem reservas à certeza de que tudo vai correr bem.
Custa a conter lágrimas pensar que ao saírem do meu ventre ficarão sozinhos. Eles sem mim. Eu sem eles…
Mas é o que tenho de esperar para poderem ficar saudáveis e receber o melhor tratamento possível.
Por isso apesar de todos os medos, estou feliz.
Feliz cada vez que brinco com os movimentos deles na minha barriga.
Feliz cada vez que os embalo, abraçando ambos ainda no meu ventre.
Feliz cada vez que arrumo e desarrumo as suas roupinhas pequeninas.
Feliz cada vez que, passadas as provações que ainda vamos ter de passar, os imagino pequeninos em meu colo.
Em meu coração… são já enormes.
E a cada dia que passa, e até ao fim da vida, eu sou mais Mãe.

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